Acidentes de trânsito custam R$ 36 bilhões por ano no Brasil

Em janeiro, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) completou 20 anos. Desde a criação da lei nº 9.503, em 23 de setembro de 1997, o texto original teve 33 alterações, além de outras 700 resoluções para regulamentar temas importantes. No entanto, isso não foi suficiente para a redução significativa do número de mortes e vítimas com sequelas graves.

Estudo feito pelo Observatório Nacional de Segurança Viária indica que, desde 1º de janeiro de 1998 até o final de 2017, foram gastos aproximadamente R$ 36 bilhões por ano com acidentes de trânsito, ou seja, um total de R$ 720 bilhões. O valor representa 12% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil, 41% do PIB do Estado de São Paulo e 1,5 vez o PIB da cidade de São Paulo.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, morreram 662.219 pessoas de 1998 a 2015 em decorrência dos acidentes de trânsito. Os pedestres são os que mais morreram, seguidos dos ocupantes de automóveis, depois pelos motociclistas, ciclistas, ocupantes de caminhões e, por fim, de ônibus. Porém, com o aumento da frota de motos, atualmente os motociclistas são as principais vítimas (veja gráfico acima).

Mas afinal, o que são R$ 650 bilhões?

  • PREVIDENCIA PÚBLICA – Cobrir 5 anos (de 2014 a 2018) do rombo. A somatória do rombo de todos esses anos é de R$ 675,6 bilhões.
  • HOSPITAL – Construir 22 mil novos hospitais com 250 leitos, UTI e unidade de traumatismos graves (e garantir sua manutenção);
  • ESCOLAS – Quase triplicar o número de escolas. Hoje são 190 mil escolas em atividade no país;
  • HABITAÇÃO – Suprir o déficit habitacional brasileiro, com sobra de 70%, na construção de casas. Hoje há um déficit de 6 milhões de moradias;
  • SEGURANÇA PÚBLICA – O dinheiro supera em mais de duas vezes o que é gasto anualmente com Segurança Pública;
  • RODOVIAS – Construir 185 mil quilômetros de rodovias, que equivalem a 400 Rodovias Anhanguera, quase 600 Rodovias Castelo Branco e mais de 1.000 Rodovias Bandeirantes;
  • FERROVIAS – Construir mais 60 mil quilômetros de ferrovias, o que mais que triplicaria a extensão atual de trilhos. Hoje o país conta com pouco mais de 20 mil quilômetros de ferrovias.